Dr. Leonardo Fischer
28 de junho de 20265 min de leitura

Colesterol alto: o que significa e o que fazer

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Dr. Leonardo Fischer

Cardiologista · CRM-SC 24.443

Colesterol alto é um dos achados mais comuns nos exames de sangue — e um dos mais mal compreendidos. Muita gente sai do laboratório sem entender o que os números significam nem quando de fato é necessário tomar alguma medida.

O que é o colesterol?

O colesterol é uma gordura produzida pelo fígado e obtida pela dieta, essencial para o funcionamento do organismo. O problema surge quando certos tipos se acumulam em excesso nas paredes das artérias, formando placas que podem obstruir o fluxo sanguíneo e causar infarto ou AVC.

LDL — o colesterol "ruim"

O LDL é o principal transportador de colesterol para as artérias. Níveis elevados aumentam o risco de doença cardiovascular.

  • Normal: abaixo de 100 mg/dL
  • Limítrofe: 100–129 mg/dL
  • Elevado: 130–159 mg/dL
  • Alto: 160–189 mg/dL
  • Muito alto: acima de 190 mg/dL

HDL e triglicerídeos

O HDL — o colesterol "bom" — remove o colesterol das artérias e o leva de volta ao fígado. Níveis abaixo de 40 mg/dL em homens e 50 mg/dL em mulheres aumentam o risco cardiovascular.

Os triglicerídeos são outra gordura importante. Acima de 150 mg/dL são considerados elevados; acima de 500 mg/dL representam risco de pancreatite.

O colesterol alto sempre precisa de tratamento?

Não necessariamente — e esse é um ponto fundamental. A decisão de tratar depende não apenas do número do LDL, mas do risco cardiovascular global do paciente.

Alguém de 35 anos, sem hipertensão, sem diabetes, não fumante e sem histórico familiar pode ter LDL de 130 mg/dL com baixo risco cardiovascular e necessitar apenas de mudanças no estilo de vida. Já alguém de 60 anos com diabetes, hipertensão e histórico de infarto na família pode precisar de medicamento mesmo com LDL de 90 mg/dL.

As diretrizes ACC/AHA de 2026 — as mais recentes — estabelecem metas de LDL conforme o risco do paciente:

  • Risco muito alto (quem já teve infarto, AVC ou doença nas artérias): meta de LDL abaixo de 55 mg/dL
  • Risco alto: abaixo de 70 mg/dL
  • Risco intermediário: redução de 30 a 50% do valor atual
  • Risco baixo: mudanças de estilo de vida como primeira medida

Quando são indicadas estatinas?

As estatinas são os medicamentos mais estudados para redução do LDL. São indicadas independentemente do cálculo de risco em alguns cenários:

  • LDL acima de 190 mg/dL (hipercolesterolemia grave)
  • Doença cardiovascular estabelecida — quem já teve infarto, AVC ou tem doença arterial
  • Diabetes mellitus entre 40 e 75 anos com múltiplos fatores de risco

A dieta e o exercício resolvem?

Mudanças no estilo de vida são a primeira linha de tratamento e podem reduzir o LDL em 20 a 30%. Redução de gorduras saturadas, aumento do consumo de fibras, atividade física regular e perda de peso são medidas com impacto real. Em muitos casos, porém, não são suficientes — especialmente quando há predisposição genética para colesterol alto.

Posso parar a estatina porque meu colesterol normalizou?

Não. O colesterol normalizou porque você está tomando a medicação. Interromper o tratamento faz os níveis voltarem ao ponto de partida. A decisão de suspender ou ajustar deve ser sempre tomada com o médico.

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