Dr. Leonardo Fischer
3 de julho de 20268 min de leitura

Dor no peito: causas, sinais de alerta e quando ir ao pronto-socorro

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Dr. Leonardo Fischer

Cardiologista · CRM-SC 24.443

Dor no peito é um dos sintomas que mais geram angústia — e uma das queixas que mais levam pessoas ao pronto-socorro. A associação imediata com infarto assusta, e com razão. Mas a realidade é mais diversa do que parece: segundo as diretrizes americanas AHA/ACC de 2021, apenas 5,1% das dores no peito avaliadas em emergência são de fato síndrome coronariana aguda. Mais da metade tem origem não cardíaca.

Isso não significa ignorar o sintoma — significa saber quando agir com urgência imediata e quando aguardar uma consulta eletiva com um cardiologista.

Quais são as causas de dor no peito?

As causas cardíacas incluem: síndrome coronariana aguda (angina instável, infarto sem ou com supradesnivelamento de ST), angina estável, pericardite e miopericardite (inflamação do pericárdio, frequentemente viral) e síndrome aórtica aguda — a dissecção de aorta, rara mas de altíssima gravidade.

As causas não cardíacas são as mais frequentes no geral: refluxo gastroesofágico (DRGE), gastrite e esofagite lideram a lista. Costocondrite (inflamação das cartilagens costais), espasmo esofágico, embolia pulmonar, pneumotórax e ansiedade com síndrome do pânico também são causas relevantes.

Como identificar se a dor é do coração?

Algumas características sugerem fortemente origem isquêmica — ou seja, falta de sangue chegando ao coração:

  • Pressão, aperto, peso ou queimação na região central do peito (retroesternal)
  • Início gradual, que piora progressivamente
  • Desencadeada ou piorada pelo esforço físico ou estresse emocional
  • Irradiação para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas
  • Acompanhada de suor frio, falta de ar ou náusea

Características que falam contra origem cardíaca

Dor em pontada que piora com a respiração ou com determinadas posições do corpo, dor muito localizada (que você consegue apontar com um dedo), dor fugaz de segundos, dor que piora ao apertar o local com o dedo e melhora com antiácidos — essas características favorecem causas não cardíacas.

Um ponto importante: o alívio com nitroglicerina sublingual não é diagnóstico de isquemia — espasmo esofágico também responde ao nitrato. Além disso, mulheres, idosos e diabéticos frequentemente apresentam sintomas atípicos: mal-estar vago, cansaço inexplicável ou dor em mandíbula — sem a pressão clássica no centro do peito.

Quando ir ao pronto-socorro imediatamente?

Vá ao pronto-socorro ou chame o SAMU (192) sem hesitar se a dor no peito for acompanhada de qualquer um destes sinais:

  • Pressão ou aperto com irradiação para braço ou mandíbula, com suor frio e falta de ar
  • 'Pior dor da vida', de início súbito, com caráter rasgante irradiando para as costas (suspeita de dissecção aórtica)
  • Desmaio, síncope ou rebaixamento de consciência
  • Coração muito acelerado ou irregular junto com a dor
  • Falta de ar intensa de início súbito (suspeita de embolia pulmonar)

Como o cardiologista avalia a dor no peito?

O ECG é o exame inicial obrigatório — deve ser feito nos primeiros minutos após a chegada no pronto-socorro em qualquer suspeita de infarto. A dosagem de troponina no sangue complementa a avaliação e permite identificar lesão no músculo cardíaco com alta precisão.

Com base nesses exames e nas características clínicas, o médico classifica o risco e decide se o paciente precisa ficar internado ou pode ser investigado de forma ambulatorial. Quando a avaliação de emergência é negativa mas persiste alguma dúvida, o cardiologista pode solicitar, de forma eletiva, um teste ergométrico, ecocardiograma de estresse ou angiotomografia coronariana.

E se a dor não for do coração?

Se a avaliação cardíaca for negativa, a investigação segue para as causas mais comuns: gastroenterológica (DRGE, gastrite), musculoesquelética (costocondrite) e psiquiátrica (ansiedade, pânico). A maioria dos casos se enquadra nessas categorias e tem tratamento específico e eficaz.

Não desconsidere a dor, mas também não catastrofize: um sintoma sem causa cardíaca identificada, em uma pessoa sem fatores de risco cardiovascular, raramente representa perigo imediato. Uma consulta com o cardiologista traz o diagnóstico correto — e, na maior parte das vezes, a tranquilidade de que o coração está bem.

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