Dr. Leonardo Fischer
3 de julho de 20267 min de leitura

Taquicardia e Palpitações: quando se preocupar?

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Dr. Leonardo Fischer

Cardiologista · CRM-SC 24.443

Sentir o coração bater forte, rápido ou de forma irregular é uma experiência que assusta — e é mais comum do que se imagina. Palpitações figuram entre as queixas mais frequentes no consultório de cardiologia. A boa notícia é que, na maioria das vezes, não indicam nada grave. Mas em alguns casos podem ser o primeiro sinal de uma arritmia importante que precisa de diagnóstico e tratamento.

O que são palpitações?

Palpitações são a percepção desconfortável dos próprios batimentos cardíacos. Os pacientes as descrevem de formas variadas: coração 'acelerado', 'disparado', 'pulando uma batida', 'batendo forte no peito', 'tremendo' ou com uma sensação de 'fluttering' (vibração).

O termo taquicardia se refere especificamente à frequência cardíaca acima de 100 batimentos por minuto. Mas nem toda taquicardia provoca palpitações — e nem toda palpitação indica taquicardia. As extrassístoles (batimentos extras isolados) costumam ser sentidas como uma 'faltinha' ou pausa no ritmo, seguida de uma batida mais forte.

Quais são as causas mais comuns?

A maioria das palpitações tem causa não cardíaca. Entre os gatilhos mais frequentes estão: excesso de cafeína, álcool, privação do sono, estresse intenso, ansiedade e síndrome do pânico. Anemia, hipertireoidismo e alterações de eletrólitos (como potássio baixo) também figuram na lista.

Entre as causas cardíacas, a mais comum são as extrassístoles — batimentos extras geralmente benignos. Outras possibilidades incluem a fibrilação atrial (a arritmia sustentada mais prevalente no mundo), a taquicardia supraventricular (TSV) e, em casos mais raros, arritmias ventriculares.

Quatro características aumentam a chance de causa cardíaca: sexo masculino, batimento irregular identificado ao exame, histórico de doença cardíaca estrutural e duração da palpitação superior a 5 minutos.

Quando as palpitações são uma emergência?

Vá ao pronto-socorro ou chame o SAMU (192) se as palpitações vierem acompanhadas de qualquer um destes sinais:

  • Tontura intensa, desmaio ou perda de consciência
  • Dor no peito junto com o coração acelerado
  • Falta de ar súbita e intensa
  • Fraqueza extrema ou pressão muito baixa

Quando agendar uma consulta com urgência?

As situações abaixo não exigem o pronto-socorro, mas merecem avaliação cardiológica breve:

  • Palpitações que ocorrem durante atividade física
  • Sensação de quase desmaio (pré-síncope) associada às palpitações
  • Histórico familiar de morte súbita cardíaca
  • Doença cardíaca conhecida (infarto anterior, cardiomiopatia, valvopatia)

Como o cardiologista investiga palpitações?

O ECG de 12 derivações é o primeiro exame solicitado — identifica arritmias em 3 a 26% dos casos, com rendimento muito maior (até 48%) quando realizado durante a palpitação. Por isso, se você está sentindo as palpitações agora, procure atendimento imediatamente para registrar o traçado.

Exames de sangue básicos (hemograma, TSH, potássio, magnésio) completam a avaliação inicial. Se o ECG mostrar alguma alteração ou houver suspeita de doença estrutural, o ecocardiograma é solicitado.

Para capturar arritmias intermitentes, o Holter 24 a 48 horas é útil quando os sintomas ocorrem quase diariamente (rendimento de 10 a 15%). Para palpitações menos frequentes, o monitoramento estendido por 2 semanas alcança rendimento de 70 a 85% — a melhor opção custo-benefício para a maioria dos pacientes. Nos casos refratários, existe o loop recorder implantável, com rendimento de até 90%.

Qual o tratamento para taquicardia e palpitações?

O tratamento depende inteiramente da causa identificada. Extrassístoles benignas sem doença estrutural — as mais comuns — não requerem medicação: orientação e mudança de hábitos (reduzir café e álcool, melhorar o sono, tratar ansiedade) costumam resolver o problema.

Arritmias sustentadas como fibrilação atrial ou taquicardia supraventricular têm tratamento específico, que pode incluir medicamentos antiarrítmicos ou ablação por cateter — procedimento minimamente invasivo com alta taxa de sucesso e potencial curativo.

Se suas palpitações forem recorrentes, te acordarem à noite, vierem acompanhadas de tontura ou ocorrerem durante esforço, não adie a consulta com um cardiologista.

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