Dr. Leonardo Fischer
19 de agosto de 20267 min de leitura

Ecocardiograma: o que avalia e quando é indicado o exame com estresse farmacológico

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Dr. Leonardo Fischer

Cardiologista · CRM-SC 24.443

É comum confundir 'ecocardiograma' com 'eletrocardiograma' — os nomes parecidos ajudam pouco. Mas são exames bem diferentes: o eletrocardiograma registra a atividade elétrica do coração em poucos segundos, enquanto o ecocardiograma é um exame de ultrassom que mostra o coração em movimento, batendo em tempo real.

O que é o ecocardiograma transtorácico?

É um exame de imagem por ultrassom que avalia a estrutura e o funcionamento do coração em repouso: o tamanho das câmaras, o funcionamento das válvulas, a força de contração do músculo cardíaco (função sistólica), a capacidade de relaxamento entre os batimentos (função diastólica), o pericárdio e a porção inicial dos grandes vasos. Não usa radiação e não dói.

Quando é indicado?

  • Sopro cardíaco identificado no exame físico
  • Dor no peito relacionada a esforço
  • Eletrocardiograma alterado em paciente com sintomas
  • Avaliação inicial de doenças sistêmicas ou congênitas com potencial de afetar o coração
  • Rastreamento em familiares de primeiro grau de cardiomiopatia hereditária ou aneurisma/dissecção de aorta
  • Antes de iniciar medicações ou radioterapia com potencial de afetar o coração
  • Suspeita de hipertensão pulmonar

Como é feito e qual o preparo?

Não exige jejum, nem suspensão de medicações, nem qualquer preparo especial. O paciente fica deitado, geralmente do lado esquerdo, enquanto um transdutor com gel é posicionado sobre o tórax em diferentes ângulos. Dura cerca de 30 a 45 minutos. Em casos em que a imagem fica difícil de visualizar, pode-se usar um contraste intravenoso à base de microbolhas para melhorar a definição.

Nem sempre é necessário repetir

Um ponto que tranquiliza muitos pacientes: as diretrizes consideram desnecessária a repetição rotineira do ecocardiograma sem mudança no quadro clínico — por exemplo, reavaliar a função do coração em alguém com doença coronariana estável e sem sintomas novos, ou vigiar uma prótese valvar assintomática antes de 3 anos. O exame deve ser pedido quando há uma pergunta clínica específica a responder, não por rotina.

O que é o ecocardiograma com estresse farmacológico?

É o mesmo exame de ultrassom, mas realizado sob estímulo — em vez de esforço físico (esteira ou bicicleta), usa-se um medicamento para aumentar a demanda do coração e observar como ele se comporta. É a alternativa quando o paciente não consegue se exercitar adequadamente, seja por limitação ortopédica, vascular ou por baixo condicionamento físico.

Além de investigar isquemia em pacientes com sintomas sugestivos de doença coronariana, esse exame também é usado para avaliar a viabilidade do músculo cardíaco em áreas com função reduzida por doença isquêmica crônica, e para avaliação funcional depois que uma síndrome coronariana aguda já foi descartada.

Como funciona o exame com dobutamina?

A dobutamina é infundida na veia em doses crescentes a cada poucos minutos, aumentando gradualmente a frequência cardíaca, a força de contração e a pressão arterial — simulando o efeito do exercício físico. Se a frequência-alvo não for atingida apenas com a dobutamina, pode-se associar outro medicamento para complementar o estímulo. Durante toda a infusão, o ECG, a pressão arterial e as imagens do coração são monitorados continuamente, comparando o coração em repouso com o coração sob estímulo crescente.

O que esperar durante o exame?

Seu médico pode orientar a suspensão de betabloqueadores antes do exame, já que esses medicamentos podem interferir no resultado. É normal sentir palpitações, calor, uma ansiedade leve e, eventualmente, um desconforto passageiro no peito durante a infusão — sintomas que revertem rapidamente assim que o medicamento é interrompido. Efeitos mais sérios, como infarto, são raros. O exame inteiro, incluindo a recuperação, costuma durar entre 45 e 60 minutos.

O exame é confiável?

Estudos que reuniram mais de 6 mil pacientes mostram uma acurácia combinada (sensibilidade e especificidade) em torno de 79% para detectar doença coronariana significativa — um desempenho consistente, sem grande influência da idade, sexo ou uso de betabloqueador. Como em qualquer exame, o resultado deve sempre ser interpretado junto com o quadro clínico completo do paciente.

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