Holter e MAPA são dois exames que costumam sair juntos de uma mesma consulta, e é comum o paciente confundir um com o outro — afinal, os nomes soam parecidos e ambos duram 24 horas. Mas medem coisas completamente diferentes: um registra o ritmo do coração, o outro mede a pressão arterial ao longo do dia.
O que é o Holter de 24 horas?
É um pequeno aparelho portátil, conectado a eletrodos no tórax, que registra o eletrocardiograma continuamente por 24 a 48 horas (aparelhos mais novos conseguem registrar por até 2 semanas). A grande vantagem é permitir cruzar os sintomas que você sente no dia a dia — anotados em um diário — com o que estava acontecendo no ritmo do coração naquele exato momento.
Quando o Holter é indicado?
- Palpitações, pré-síncope ou síncope sem causa esclarecida
- Quantificar extrassístoles e avaliar se há relação entre elas e algum sintoma
- Acompanhar a resposta a um tratamento antiarrítmico, ou o controle da frequência cardíaca na fibrilação atrial
- Avaliar o funcionamento de marca-passos e desfibriladores implantáveis
- Investigar sinais de isquemia silenciosa em pacientes selecionados
O rendimento depende da frequência dos sintomas
O Holter de 24 horas funciona bem quando os sintomas acontecem pelo menos uma vez por dia — a chance de capturar o evento durante o exame é alta. Quando os sintomas são esporádicos (uma vez por semana ou por mês, por exemplo), o rendimento do Holter cai bastante, e monitores de eventos ou adesivos de longa duração (que registram por até 2 semanas) tendem a ter um resultado melhor nesses casos.
Como é o dia do exame?
Não há preparo especial nem restrição alimentar. O ideal é manter as atividades normais do dia a dia — é justamente nesse contexto real que os sintomas costumam aparecer. É preciso evitar molhar os eletrodos (banho durante o uso do aparelho deve ser evitado), anotar no diário o horário de qualquer sintoma (palpitação, tontura, atividades realizadas e horário de sono) e não remover o dispositivo antes do prazo combinado.
O que é a MAPA?
A MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial) é um aparelho que mede automaticamente a pressão a cada 15 a 30 minutos, durante 24 horas — incluindo o período de sono. Ao final, gera médias de pressão do período em vigília, do sono e das 24 horas completas.
Quando a MAPA é indicada?
- Confirmar o diagnóstico de hipertensão antes de iniciar tratamento, especialmente quando há diferença entre as medidas feitas no consultório
- Descartar a 'hipertensão do jaleco branco' — pressão alta apenas no consultório
- Descartar a 'hipertensão mascarada' — pressão normal no consultório, mas elevada no dia a dia
- Avaliar hipertensão aparentemente resistente ao tratamento
O descenso noturno: um dado que só a MAPA fornece
Normalmente, a pressão arterial cai durante o sono em relação à vigília. Quando esse descenso não acontece — o chamado padrão 'non-dipper' — isso está associado a maior risco cardiovascular. Essa informação simplesmente não existe na medida de consultório, nem na medição feita em casa: só a MAPA revela o comportamento da pressão durante o sono.
Hipertensão do jaleco branco e hipertensão mascarada
A hipertensão do jaleco branco — pressão elevada apenas na presença do médico, provavelmente por ansiedade do momento — está presente em até 30% a 40% das pessoas avaliadas. Não costuma exigir tratamento medicamentoso de rotina, mas merece reavaliação periódica, já que uma parte desses pacientes evolui para hipertensão sustentada com o tempo.
Já a hipertensão mascarada é o oposto: pressão normal no consultório, mas elevada no restante do dia. Está presente em 15% a 30% dos pacientes com pressão normal no consultório, e carrega um risco cardiovascular cerca de 2 vezes maior que a normotensão verdadeira — praticamente equivalente ao da hipertensão sustentada. Por isso, quando identificada, geralmente precisa de tratamento com base na pressão medida fora do consultório.
